ASPECTOS MARCANTES NAS EXPOSIÇÕES VISITADAS NO PALÁCIO DAS ARTES E NO CCBB
Visita ao programa de mostras itinerantes da 34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto – no Palácio das Artes
Sobre a obra:
Frederick Augustus Washington Bailey nasceu em Maryland (EUA), em 1817 ou 1818, filho de uma mãe negra escravizada e de um pai, provavelmente branco, que nunca o reconheceu - talvez o dono ou um feitor da plantação onde a mãe trabalhava. Ao longo da infância e da adolescência, apesar de inúmeros obstáculos, aprendeu a ler e a escrever, chegando a organizar aulas de alfabetização para outras pessoas escravizadas como ele. Em 1818, Após algumas tentativas frustradas, conseguiu fugir para Nova York, onde a prática da escravidão havia sido abolida 11 anos antes, mas a sensação de insegurança causada pela espreita constante de "sequestradores legalizados" de fugitivos fez com que logo se mudasse para New Bedford (Massachusetts), onde adotou o sobrenome Douglass Eloquente, carismático e tendo vivido realidades que lhe davam uma perspectiva contundente da sociedade, iniciou rapidamente uma extraordinária carreira de escritor, orador, político e, acima de tudo, ativista em prol da abolição da escravidão - que ocorreu em todo o território dos Estados Unidos apenas em 1865 -, tornando-se uma das figuras mais reconhecidas e admiradas nessa luta. Ao morrer, em 1895, era considerado um dos homens mais importantes na história dos Estados Unidos. Em 1841, Douglass encomendou seu primeiro retrato fotográfico. Ele tinha plena consciência de que sua imagem de homem negro livre poderia ter grande amplitude na luta contra a escravidão e percebeu, de modo pioneiro, que a circulação massiva que o meio fotográfico permitia seria importante no suporte à luta antirracista e contra as práticas segregacionistas do pós-abolição. Não à toa, ao longo das mais de cinco décadas seguintes, ele se tornaria a pessoa mais fotografada nos Estados Unidos do século 19, demonstrando um enorme controle de sua pose, vestimenta, feição e enquadramento. Esse corpus único de retratos é apresentado de maneira praticamente integral. Sob o olhar penetrante e desafiador de Douglass, obras produzidas em momentos e contextos distintos tecem um discurso complexo, que reafirma a importância de voltar a olhar, hoje, para os processos de deslocamento, violência e resistência que marcaram e continuam marcando a vida de milhões de pessoas.
Minha opinião:
Essa obra me marcou muito por representar em fotografias a vida de Frederick Douglass, uma pessoa que muito contribuiu para a abolição da escravatura nos Estados Unidos. Além disso, achei extremamente interessante o motivo por trás da imensa quantidade de retratos do mesmo e pelo fato de ter sido pioneiro na visibilidade de pessoas negras nas grandes mídias e no campo das artes. Eu adição, esse é um tópico amplamente discutido atualmente, sendo fundamental a presença de pessoas negras em novelas, séries, filmes, fotos, revistas, campanhas publicitárias e passarelas, fazendo-se um importante meio de combater o racismo, trazer representatividade e romper preconceitos enraizados desde o período da escravidão.
Outro aspecto que me marcou muito, ao visitar a 34° bienal, foi a obra “Carta ao velho mundo” do artista Jaider Esbell, em específico a frase escrita em uma das dezenas de páginas coladas na parede, que diz “ A arte não diz que está certo ou errado. A arte faz pensar”, e eu concordo com essa oração. Esse foi o sentimento que eu tive ao sair do palácio das artes, me peguei refletindo sobre esse trecho durante vários dias e acredito que esse é, realmente, um dos maiores objetivos do fazer artístico.
Exposição Brasilidade Pós-Modernismo no CCBB
A obra “Procuro-me”, da artista Lenora de Barros, imita fotografias de pessoas desaparecidas, mas mostra diferentes autorretratos da autora, o que faz o espectador associar à busca incessante pelo autodescobrimento e nos faz refletir sobre a nossa jornada de nos conhecermos, especialmente no contexto atual, já que, imersos nas redes sociais e em uma modernidade líquida muitos não param pra refletir sobre o quem realmente são, o que gostam e quem querem se tornar. Além disso, alguns até mesmo se perdem tentando suprir expectativas sociais, virtuais ou internas.

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